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4ª Edição da Mostra Felco BH 2009





A 4º Edição da Mostra FELCO BH 2009 se prepara para receber a produção de grupos de cineastas e indivíduos. Este ano o tema é Memórias do Subdesenvolvimento, com mini-mostras de realizadores contemporâneos, cinema militante e videoativismo.



A Mostra FELCO BH 2009 acontece em espaços alternativos da cidade e no Cine Humberto Mauro de 8 a 12 de abril de 2009.


DIVULGUE!!

As inscrições podem ser feitas aqui neste site. O realizador deve preencher a ficha de inscrição e enviá-la juntamente com a cópia do filme em mídia DVD até o dia 31 de Janeiro.
O endereço para envio dos filmes é

CAIXA POSTAL 220
CEP 30161-970
Belo Horizonte – Minas Gerais – Brasil.



Inscreva-se AQUI


Salvação da lavoura!

Fundo Setorial do Audiovisual chega para alavancar a produção de cinema nacional

Por Aline Souza


Adiantada em duas horas para seu início, a cerimônia de lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, reuniu nesta quinta-feira (02/12) autoridades políticas e culturais em torno da nova possibilidade de financiamento para o cinema brasileiro. Inicialmente serão investidos R$ 74 milhões nas primeiras quatro linhas de ação ao longo de 2009. Os recursos são oriundos da atividade econômica do setor, da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional- CONDECINE e do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações – FISTEL.

O Comitê Gestor do FSA é composto por dois representantes do Ministério da Cultura – MinC – Juca Ferreira e Silvio D-Rin; um da ANCINE – Agência Nacional do Cinema, que é um dos agentes financeiros credenciados – Manoel Rangel e dois membros da indústria audiovisual, designados pelo Ministro da Cultura, Juca Ferreira – Paulo Mendonça e Gustavo Soares Steinberg. A ANCINE também exerce a Secretaria Executiva emprestando apoio técnico, administrativo e operacional para as atividades.

Em seu discurso, o ministro Juca Ferreira disse que é preciso ampliar o conceito de qualidade de vida incorporando a cultura. Além disso, anunciou em primeira mão, que o PL 29 entrará em votação na próxima semana, o que deverá ser efetivado e concluído no próximo ano. “Era o que estávamos aguardando para a área do audiovisual e o casamento perfeito com a TV”, afirmou. De acordo com o ministro, até agora o sistema de incentivos fiscais era contraditório porque obrigava os produtores a uma verdadeira romaria em busca das grandes empresas investidoras, o que deixava a cultura cada vez mais refém dos interesses privados. O FSA é apenas um dos que ainda deverão ser criados dentro da proposta de mudança da Lei Rouanet, que vai introduzir cada vez mais a participação do Estado por meio do fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura (FNC).


Paulo Mendonça - Canal Brasil

O diretor do Canal Brasil e membro do Comitê, Paulo Mendonça, disse que “o FSA vem para consolidar o audiovisual com recursos próprios, um grande passo para o qual o cinema brasileiro conta”. O modelo de atuação do fundo é combinar gestores públicos e representantes do setor; mecanismos de financiamento diversos e a capacidade de atuar nos diferentes elos da cadeia.

Lula em discurso de cerimônia

O presidente LULA também deu a sua palavra de positividade para a bonança que espera os realizadores de cinema no Brasil. Afirmou que a crise de que todos falam, precisa ser vista como uma oportunidade para o Brasil crescer e que é necessário sobrar dinheiro para as pessoas irem ao cinema.


Juliana Carvalho (Bang Filmes)

A produtora Juliana Carvalho, da Bang Filmes, acredita que o FSA é uma grande sacada. “O FSA pretende fomentar a cadeia inteira da produção cinematográfica até o quesito equipamentos. O mais importante é que o Estado será parceiro no investimento, e o risco, que antes era só do empreendedor, agora será do Estado também, será de todo mundo junto”, anima-se. É importante salientar que o FSA visa contemplar atividades associadas aos diversos segmentos do setor: produção, distribuição/comercialização, exibição e infra-estrutura de serviços através de investimentos, financiamentos, operações de apoio e equalização de encargos financeiros.


Vânia Catani (Bananeira Filmes)

A norte - mineira Vânia Catani, diretora da Bananeira Filmes, disse apostar na ação cautelosa do FSA que irá valorizar a qualidade artística das obras e priorizar o seu conteúdo com alto grau de competitividade nos mercados doméstico e internacional. “Os gestores estarão atentos à competência de mercado da empresa e o mais incrível é que não levarão em conta somente projetos comerciais. Existe outro perfil de projeto cinematográfico que também precisa ser produzido e precisa de grana para isso”, declara. Entretanto Vânia é categórica quanto ao acesso: “acredito que o Fundo foi desenhado para empresas mais estruturadas no mercado, é como se fosse uma graduação, ele requer certo ‘expertise’, certo conhecimento profundo de causa”, compara. A Bananeira Filmes acaba de lançar o primeiro filme do estreante diretor Selton Melo, Feliz Natal, em cartaz nos cinemas.


Tarcísio Vidigal (Grupo Novo de Cinema)

Para o diretor do Grupo Novo de Cinema, Tarcísio Vidigal, o que chamou a atenção é de fato a atenção dada á distribuição. De acordo com suas informações, de 619 filmes catalogados pela ANCINE, 491 não possuem distribuidor e esse é um número alarmante. “É a primeira vez que alguém pensa neste detalhe de colocar dinheiro na distribuição e na compra de direitos, o grande gargalo do nosso cinema”, afirma.


Leandra Leal, Julia Moraes e Cláudio Assis

A cerimônia não seria a mesma sem a presença do polêmico e visceral Cláudio Assis, que disse entender o momento atual como uma cura para o banho de água fria dado pela Petrobrás, que vem cortando seus patrocínios nos setores da Cultura e do Social para fugir da crise econômica. “Diante disso, o que seria de nós sem o Fundo? Se for bem administrado, ele veio para salvar o cinema nacional”, profetiza Cláudio. A respeito do acesso ao FSA, anteriormente discutido, Cláudio Assis diz que “o cara Zé Ninguém que quer fazer cinema, tem que lutar, tem que provar que faz algo bom, tem que ser honesto e começar de algum lugar”. O diretor é dono da Parabólica Brasil e deve finalizar as filmagens de seu próximo longa Febre do Rato em breve “com a ajuda de Deus na frente e o Diabo empurrando atrás”.

O clima otimista ficou reservado a poucos. Nos bastidores do coquetel que se seguiu à cerimônia de lançamento, ouvi de alguns produtores com mais de 26 anos de experiência que algo não cheirava bem pelo fato de, na primeira fila, estiveram presentes representantes de grandes distribuidoras estrangeiras como a Universal Pictures.

Helvécio Marins Jr. (TEIA)

Para o também mineiro Helvécio Marins, é difícil prever porque a política do governo sempre foi centralizar tudo em Rio e São Paulo. “Acho isso péssimo e eu espero que mude. São poucos do cinema mineiro que estão neste páreo”, disse o cineasta, que é integra a produtora TEIA e representa o Festival de Cinema de Locarno na América Latina.

As quatro linhas de ação iniciais são: A- Produção Cinematográfica de Longa-Metragem, B - Produção Independente de Obras Audiovisuais para TElevisão, C - Aquisição de Direitos de Distribuição de Obras Cinematográficas de Longa-Metragem e D - Comercialização de Obras Cinematográficas de Longa-Metragem. O Fundo Setorial do Audiovisual foi criado pela Lei Nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006 e regulamentado pelo Decreto nº 6.299, de 12 de dezembro de 2007 como uma das categorias do Fundo Nacional de Cultura (FNC). Vida longa e útil ao FSA!!

Mais informações em ouvidoria.responde@ancine.gov.br ou no site www.finep.gov.br

Bananas ao Cinema Nacional!


Para as pessoas do final do século passado um dos principais ícones de sua geração era a Zebrinha do Fantástico que ditava o resultado da loteria esportiva. Estas pessoas, inevitalmente saudosistas como eu, não se cansam de lembrar que o Didi e o Dedé já foram, um dia, engraçados. O cinema dos Trapalhões era um besteirol genuinamente brasileiro, e claro, mercadológico. Nossos hermanos hoje já não são lá tão bons de risos, mas minha capacidade de rir de besteiras se modificou consideravelmente. O que importa dizer é que se não fossem os Trapalhões, a Xuxa ou os filmes religiosos nas épocas de quaresma católica eu jamais teria conhecido o cinema, a sala escura, a telona.
Os cinemas de rua, que já eram raros na minha cidade, não existem mais em quase lugar nenhum. A mais recente história que eu ouvi dizer foi o Paissandu, no Rio de Janeiro, que cerrou suas portas após um passado de glória. Lugar histórico onde a geração de 60 e 70 assistia obras clássicas e inspiradoras do que viria se tornar hoje a dita “retomada do cinema nacional”.


De acordo com a análise de André Gatti no livro Cinema no Mundo – Indústria Política e Mercado (Vol III – América Latina), a chamada “retomada” se deu em uma época de mudanças das legislaturas do audiovisual, quando se configurou o atrelamento dos exibidores com os distribuidores internacionais, acordo que possibilitou o aumento gradativo dos preços dos ingressos e leis protecionistas pouco eficazes. Isso gerou o afastamento do público de baixa e média renda dos cinemas, público que sustentava a produção nacional.
O setor de exibição foi encolhido, ao passo que o aumento dos ingressos enfraqueceu o setor de produções que ainda se mantém em desvantagem com setores de exibição e distribuição. Os custos nacionais de produção média e de lançamento aumentaram consideravelmente.
Segundo a pesquisa organizada no livro por Alessandra Meleiro, até meados de 1989 havia três pólos de produção com atividade constante, que levava ao cabo de lançamentos comerciais em média 80 longas por ano. Entre 1993 e 1999 esse número não passou de 25 filmes. O quadro começa a mudar a partir de 2006, quando são lançados 73 títulos, número que há muito não se via.
A euforia ufanística pelo filme nacional que se verificou na chamada “retomada” e que ainda hoje é verificada no consenso comum, não passa de uma tentativa de acobertar a conjuntura desigual que o cinema nacional vive em detrimento do cinema estrangeiro. A década de 1990 até 2003 coincidiu com um aspecto político e econômico de inserção do Brasil na era da globalização de mercados. Esse aspecto fez com que houvesse a reconstrução de um projeto industrial para a produção local destinado a exibição em salas de cinema.

O que se verifica, principalmente de 90 a 99, é uma receita bilionária do filme estrangeiro (1,8 bilões de dólares) além de notável desproporção da presença do filme nacional perante a indústria cinematográfica hegemônica (em 1990 foram lançados 7 filmes nacionais e 231 estrangeiros). Há quem afirme que as salas de cinema de rua restantes vivem hoje muito de eventos corporativos e quase nada de bilheteria. Pelo visto, não temos a menor chance!
Todo este monopólio estrangeiro, principalmente o americano, que desde o princípio do século passado, com o modelo fordista de produção industrial, vem ocupando sistematicamente o lugar de nossos cartazes nas vitrines dos cinemas. Com a mudança de perfil, onde as cópias, ao invés de compradas são alugadas pelos donos das salas, não é mais vantagem deixar os filmes brazucas ficar em exibição por muito tempo. Então, passamos a concorrer conosco mesmos. Daí então, devemos bater nas costas de nosso colega ao lado e pedir licença para entrar. Isso se o filme for no mínimo global e rentável. Já é comum que hoje a nova geração só conheça referências bastante lamentáveis de cinema.
Em entrevista à Revista de Cinema (set/out de 2008), o ator Leonardo Medeiros disse que discorda do suposto “boom” do cinema brasileiro, pois, “esses filmes foram assistidos por no máximo 400 mil pessoas, somando todos. Uma média de 25 mil por filme. Não acho que estejamos vivendo apogeu algum” afirmou.



Na minha cidade hoje só existe cinema dentro do Shopping Center meia boca e quase nenhum filme em cartaz por lá é brasileiro. Não que eu tenha saudade da década de 1980 no quesito “sucesso de investimentos no cinema nacional”. Esse texto é só para lembrar que o tempo passa, que o cinema serve para eternizá-lo, que ninguém precisa gostar de cinema ou de cinema brasileiro, mas é preciso saber que nosso cinema há muito está precisando de um cafuné, de um aconchego. E não é qualquer “retomadazinha” que é capaz de me engambelar não!
Aline Souza - jornalista e produtora. Contribui para este blog espontaneamente!